Esse é um texto diferente dos outros, mas está dentro da idéia que eu queria pro blog: explicar basicamente as coisas. Só vai se interessar por esse texto quem me conhece e está acompanhando a história. Ele serve apenas para economizar as mais de 10 vezes que eu iria contar a mesma história. Então ta tudo aqui, e já conta pra todo mundo ao mesmo tempo.
É sabido que semanas atrás “arrumei” um estágio de Editor na TV OPOVO. As aspas são porque só podia fazer o estágio se eu continuasse estudando na Fanor, se eu permanecesse estudante. E teoricamente eu me formaria no fim do ano. Daí tive a brilhante idéia de deixar pra fazer a monografia semestre que vem, continuar na fanor, fazer o estágio, virar um adulto e ter dinheiro. Mas era foda deixar pra se formar depois e tal... só que:
Minha monografia é audiovisual e eu ia fazer um documentário. Boa parte das cenas que iria filmar para o documentário aconteceriam num Fórum sobre a zineteca de Fortaleza, que aconteceria em setembro agora. Foi adiado para março do ano que vem. Era um sinal. Eu deveria adiar essa bagaça e fazer o estágio e zaz e zaz e pedi conselho a um monte de gente que respondeu que não sabia o que era melhor fazer, e foi que decidi largar a mono.
Entrei no processo pra fazer o estágio. Quando fui na TV, já me apresentaram todo mundo, eu tinha sido bem indicado, tava praticamente dentro. Faltava a parte burocrática só. E começou a putaria. Fui no RH pra fazer o teste pra saber se sou doido. Não sou. Respondi questionário, falei com psicóloga, mandei umas matérias que eu tinha editado pra saberem qual meu nível de edição. E enquanto resolvo tudo, a vida desanda. Meu documentário é engavetado, falto o estágio da Fanor, perco ensaios do teatro, perdi de filmar o Zine-se duas vezes porque fiquei editando na Fanor coisas que não deram tempo pra editar antes, não entreguei os dois primeiros capítulos da monografia que era pra entregar a te setembro.
Daí ainda tive que arrumar um monte de papelada pro departamento pessoal. Lá vai correria preu tirar minha carteira de trabalho. É, eu não tinha carteira de trabalho bla´blá blá e daí, eu nunca tinha precisado e não tive tempo de tirar antes. Também tive que conseguir uma declaração dizendo que eu cursava a faculdade pela manhã, sendo que eu curso a noite, sendo que na verdade não curso em horário nenhum porque não tenho aulas, estou me formando. E ainda queriam uma declaração dizendo que eu não estava mais fazendo a monografia, só que (burocracia) eu não posso mais trancar porque já passou do período, no caso eu teria que reprovar. Mas não existe declaração que afirme “Gladson Caldas está pretendendo reprovar essa cadeira no fim do semestre e não vai se formar”. Vai que eu teimo de me formar só pra fazer o mal né.
Sei que isso tudo eu resolvi e ainda chamava a burocracia pros pau, “vem que tu num me derruba não”. Ela me derrubou. Estou eu com o contrato de estágio em mãos, faltando só assinar e levar pra departamento pessoal, já com urgência de começar a trabalhar amanhã a tarde como sem falta. E a moça do Fanor Carreiras me diz gentilmente que eu não posso fazer dois estágios. “Mas como eu não posso? Taí, eu já to dentro”. Segundo a nova lei do estagiário, são permitidas apenas seis horas diárias de estágio a um aluno, porque ele precisa estudar né, e se a Fanor assinar esse contrato e permitir que eu trabalhe mais seis (visto que já estagio seis horas na Fanor) ela estará infringindo a lei. É isso.
Mas Gladson, não dava pra falar com alguém sei lá, teu estágio na Fanor já acaba em dezembro? Fui lá em cima, falei com coordenador, departamento pessoal, carái de asa, não teve jeito. Só se eu sair da Fanor. E nOPOVO eles me queriam trabalhando amanhã. Até eu ir no CIEE buscar meu contrato de estágio, pra acabar o contrato, levar no setor pessoal, preencher as burocracias de quem se desliga da instituição, ia demorar mais que daqui pra amanhã. Sem falar que largar a Fanor assim de repente é foda, faltando dois meses. Não iam arrumar alguém pro meu lugar, eu ia ter que ficar indo até dezembro, sem receber. Não ia ter acesso fácil ao equipamento de lá pra tentar continuar gravando meu documentário. Ia perder a bolsa. Enfim, é complicado. E depois de expor essa complicação pro cara lá da TV, ele falou “é, num ta dando mesmo não, fica pra próxima, Gladson”. È, fica pra próxima. PUTA QUE PARIIU.
Resultado: estágio fica pra próxima, monografia fica pra próxima, dinheiro fica pra próxima, trabalhar de verdade fica pra próxima, me sentir um adulto fica pra próxima. Mas veja pelo lado bom, agora eu tenho uma carteira de trabalho. ¬¬
E é realmente aquela coisa das pessoas dizerem que eu sou negativo, que eu sou pessimista, que eu preciso acreditar mais que vai dar certo. Mas é que tem sistemas que funcionam com as pessoas, comigo é outro sistema. Eu acreditei que ia dar certo, eu tinha certeza que tava certo, que tinha tomado a melhor decisão, que era senhor do meu destino e vai tomar no cú. Mas eu preciso duvidar, eu preciso achar que vai dar errado. Ta, releve esse último parágrafo, ele foi só uma breve divagação amargurada do mundo, da vida, ó vida ó azar. Pois é, é basicamente isso, escrevendo aqui poupo de contar essa história várias vezes e me aborrecer de novo. Fica pra próxima.
OBS: Eu to nos outdoors da Fanor. Quem já viu?