sábado, 19 de dezembro de 2009

Calcanhar de Aquiles


Essa semana um gato tentou roubar meu lanche. Ele deu uma voadora em cima da mesa e avançou pra cima de mim. Eu não podia fazer nada, não podia bater em um gato. Então fiz o que qualquer pessoa com bom senso faria: pulei de susto e disse “xô, XÔ”. Me senti muito impotente, fraco, vencido por um gato. Fiquei deprimido o resto do dia, é sério. E é engraçado que minha vó morreu faz pouco tempo. Quer dizer, isso não é engraçado, é só um curioso paralelo. Fiquei muito triste, mas no mesmo dia tive que seguir com a vida. Força e siga em frente. Agora esse gato conseguiu me derrubar. Como foi que eu fiquei tão forte e frágil ao mesmo tempo?


É que na verdade, tem sempre um mundo de coisas irresolutas que te deixam pra baixo. Mas a gente finge que elas não estão lá e passa por cima. Até que uma bobagem acontece e liga tudo junto ao mesmo tempo. Costumo chamar isso de interruptor. Na verdade, eu não costumo chamar, inventei agora. É como se um pequeno clic fizesse todos os problemas aparecerem.


Todo mundo tem um ponto fraco, está no manual do ser humano. Mas humanos não têm manual, a gente aprende na prática que sempre tem uma coisinha boba que derrota a gente. Inclusive aquela história do fraquesa do super-homem ser a criptonita, uma pedrinha estúpida que brilha, eu acho que representa a ligação dele com o seu planeta natal e o faz lembrar que não é um super-homem, ele não é humano, é um criptoniano, assim também é muito fácil, ser super num planeta inofensivo como a Terra. Isso fere o ego de um ser humano, quer dizer, de um criptoniano.


Deve existir algum tipo de ironia divina costumeira que nos faça sucumbir a pequenas coisas estúpidas. Um mau presente de amigo secreto, um bom dia não respondido, uma crítica, um ataque de um gato no seu lanche. Pequenas armas mortais do destino, do cotidiano. O velho sadismo de Deus sobre nós. É por isso que se eu sofrer um acidente de avião, eu não vou morrer, agora se eu furar o pé num prego, isso começa a me preocupar.



1 comentários:

Vallessya Matos disse...

eu acho que seus textos sempre combinam tanto comigo ...
eu, por vezes, tenho isso de me deixar fracassar por uma minima coisa e nunca fazia ligaçao que essa coisa era so o "interruptor" pras outras coisas ...
obrigada por me esclarescer.

=*