Como Darwin já dizia, a raça mais desenvolvida é a que sobrevive. Geralmente a mais forte. Hoje, com tanta doença emocional, psicológica, uma pessoa que controla seus nervos é a raça mais forte. Eu quase nunca fico doente, tenho boa resistência, instinto de sobrevivência (a tirar pelas 10 vezes que fugi de assaltos), organizo bem as idéias diante de um mundo hipercomunicativo, o que é essencial, e o principal: tenho nervos de aço. Ta, quase, nem tanto. Sei que quando minha vó morreu, na hora que eu soube, respirei passivo e fui continuar o que eu estava fazendo, na internet, e só esperei a hora de ir pro enterro. Calmo e inabalado, sem um pingo de tristeza aparente. Só chorei depois, no momento propício. Continuei com a vida. Não que eu não estivesse triste, é que me resignei rápido, como a capacidade de cura de um Wolverine.
As coisas costumam me abalar aos poucos, fico triste um pouquinho por dia, por coisas diversas. É automático e me deixa forte pra quando vier uma tristeza maior. Então engulo seco e cicatrizo rápido. Como um namoro que termina e no mesmo dia sorrio normalmente. Não fico demente, só penso no próximo passo. É assim que vou sobreviver, é assim que minha espécie continua. Cada vez mais fria e apática, porque os fracos não têm vez.
Mas essa dormência emocional ainda vai me fazer morrer de não sentir nada. Os problemas vão me atacando e eu não vou sentindo, até que um dia morro sem saber por quê. Sucumbir sem motivo, ficar triste por nada, esse é o mal que vai acabar com a espécie dominante, esse é o mal que vai acabar comigo. E o que seria ficar triste sem tem por quê? Depressão. O mal do século. O que me leva a crer que a espécie dominante na verdade ainda está por vir. Eu fui só uma espécie de transição. Não vou me adaptar. Ou eu evoluo e aprendo a sentir antes de cicatrizar, ou não sinto mais nada e me deixo levar, porque é mais fácil não sentir. Talvez por isso eu insista em prolongar pequenos sofrimentos, talvez seja um jeito da minha espécie se adaptar. Talvez eu seja mesmo a espécie dominante. Hoje pelo menos eu sinto só um pouco. Só alguns flashs de desespero, que eu calo com goles de cerveja e piadas de mesa. Fazer o que, são coisas da minha espécie.
2 comentários:
Conversando com uma amiga eu a contei sobre minha ultima desilusão, disse que fazia questão de demonstrar a mágoa, o ciúme e a dor de cotovelo. Ela ficou surpresa com a minha postura, disse não acreditar que com a minha idade eu ainda não tinha aprendido a medir o que transparece. Falou ainda que eu deveria parar de ser assim ‘extremamente sentimental’ porque as pessoas percebem a fraqueza, a carência. E o que é a carência senão um atestado perfeito de incapacidade de dar e receber afeto?
“Você tem que aprender a ser mais forte, porque assim você sofre menos.”
O controle de emoções é apenas uma autopreservação consciente. Pensar é sentir também. É importante perceber onde ocorre a intersecção entre as duas formas de sentir, a minha e a sua. Nossa convicção e argumentação na ponta da língua para cada ação e a criação de fundamentamos para nossas análises. O Narcisismo de acreditar ser o que nos apaixona, ou somente orgulho de se conhecer e se compreender.
A classe dominante não sobrevive por ser mais forte, mas por ser mais astuta.
e quando se desaprende a chorar? de tanto não querer mais sentir...
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