domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu não escuto estrelas (ou A velha briga dos realistas com o parnasianos)


Abri a janela pálido de espanto. Mas as estrelas não me diziam nada. Porque eu nunca fui muito parnasiano. Não caio em prantos por causa de um sentimento angustiante de amor. Só amanheci preocupado porque minha vó está com um tumor. Minha outra vó, a primeira morreu há mais ou menos três meses. Está todo mundo preocupado com essa agora. A vida não dá tempo pra respirar. E de tanto sufocar fiquei com dor de garganta. Aquela dor de garganta do mundo, uma dor no fundo, tão funda quanto todos os problemas da vida. Desde as coisas da tv até as despedidas de amor, passando agora por esse tumor. De repente fico até com um tumor na garganta. Não não, “canta, canta”. Peguei o violão pra ver se espanto os males. Não é assim que fazem os otimistas? Canta, canta, que acostuma a dor de garganta. Tentei disfarçar meus medos sendo artista, tentei conversar com estrelas. Besteira. E as pessoas me enchem de positivismos. Mas o Haiti treme, as pessoas têm fome, o egoísmo é inevitável, as avós morrem, os namoros acabam e as estrelas nunca dizem nada.



2 comentários:

Luiza. disse...

O céu é só uma moldura da figura do caos.

Ludiana Maia disse...

UAU