sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eu me vendi

Duas coisas que eu não queria ser: soldado e vendedor. Sempre achei que se de alguma forma eu tivesse que lutar pelo meu país, essa seria uma boa hora para ter pé chato. Ou dentes tortos, como foi o meu caso ao não adentrar nas forças armadas. Apesar de que todos os dias sou submetido a testes de resistência, estratégia, rapidez e principalmente violência. A guerra está aí fora, todo mundo vê. De alguma forma acho que o país me colocou na linha de frente, pra morrer pela causa. Mas pelo menos não sou vendedor.

Não era. Por incoerência do destino, estou agora numa sala de aula aprendendo Marketing (a foto explica). Me vendi pro sistema. Defina Marketing. Marketing é vender, ponto. Mas não é só isso, é um conceito amplo. É um conceito amplo, mas no power point tinha uma definição de três linhas. É saber como vender. Como se vender.

A Bel tá na sala e diz que tá feliz por eu estar aqui. Eu digo que eu é que to feliz por ela estar aqui. Só vou sobreviver a isso se tiver comigo alguém que não precise que eu sorria. A Bel disse que a gente sorri pouco porque sabe que tem dentes tortos. Com dentes tortos não dá pra ser um bom vendedor, e nem um bom soldado.

Alguém fala algo legal e todo mundo ri. Mas não mostro meus dentes tortos. A velha discussão sobre como a tecnologia mudou nossos hábitos que na verdade continuam os mesmos. E redes sociais e minha sobrinha de 12 anos faz isso na internet e aquilo e blábláblá. Prefiro a minha punheta digital em casa.

Percebo como sou o clichê anti-social de sempre. Tudo parece tão blábláblá. Mas se eu quiser ser um House ou um Hank Moody e desdenhar de todo mundo, tenho que ser um gênio em alguma coisa pra compensar. O Wolverine só manda todo mundo tomar no cu, porque tem moral para não deixar ninguém tomar no cu dele. Como eu não sou nenhum gênio, tenho que ser um soldado ou um vendedor de mim mesmo.

O Marketing não acaba depois da venda, é preciso fidelizar o cliente. Aqui tem textos escassos com comentários mais escassos ainda. Bem se vê que não sei fidelizar clientes, não sei me vender. Aqui não preciso de estratégias nem de público alvo nem desenvolver meu produto para as necessidades do cliente. Não, eu não faria isso com vocês. E ainda posso usar à vontade os meus dentes tortos.


4 comentários:

eveline disse...

Eu te compro pela sinceridade! Mas vou te dizer vc não é nenhum house e nem está perto de ser um, o house é crânio, mas é um bossal, nenhum pouco generoso e muito menos sociável. O house é tudo aquilo que vc não é pq vc não nasceu para ser um solitário se vc tentasse ser um house no meio do caminho se transformaria em um Mark Zuckerberg (isso de acordo com o filme a rede social) um menino tentando se encontrar que não é um idiota, mas se esforça muito para ser. Vc não é um idiota e nem tem como ser sabe pq? vc é solícito e companheiro e isso o House nunca chegará a ser pq o egoísmo, até onde eu te conheço, não faz parte da sua personalidade.
Bjos e saudades meu querido!!! ahhh só fiquei sabendo do seu blog hj e já adorei, amo textos cheios metáforas, misturando a sua realidade com os personagens que tanto amo.

plincs disse...

Pegue seu diploma e exploda por dentro, como muita gente quer e quase ninguém pode. Ops, disse muito.

Gladson Caldas disse...

Minha mãe também disse preu comer um iogurte vencido porque tem muita criança com fome que nem isso tem. Faz todo sentido.

Anônimo disse...

Ja te disse que você é um produto vendável?! Pois é...Acredite!!
...você é O Gladson.