quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Blogstar frustrado

As pessoas ainda escrevem em blogs? Não falo dos blogs de humor, notícias e resenhas, falo do blog tipo diário, onde losers destilavam suas agruras e ainda ganhavam fãs com isso. Hoje o “blogueiro” entrou em desuso, foi pro limbo junto com o Orkut. E eu volto aqui como quem saiu pra comprar cerveja no meio da festa e quando voltou a festa tinha acabado. Vou fingir então que blogar é uma arte retrô, dada a velocidade com que as coisas evoluem atualmente.


Os escritores de blog mais ambiciosos pegaram carona na moda e acabaram arrumando um emprego de verdade, ou pelo menos alguma remuneração. Logo, falta-me ambição. E talento, claro. Inspiração é uma coisa complicada, e transpiração também. Ambos vêm nas horas inexatas. Quando tenho o que dizer, dá preguiça, quando to com ânimo, as ideias fogem.


Talvez se o ânimo e a inspiração pudessem ser conservados em bateria, eu tivesse uma chance. Agora, às três da manhã com essa insônia, tenho vontade de ser herói de mim, de me salvar da mediocridade com tanta ideia que se mistura na minha cabeça. Aí durmo e acordo ao meio dia preocupado apenas se tomo café ou se almoço logo. E me deixo levar no círculo vicioso da mediocridade diária. Mais um dia de redes (anti) sociais, canais de TV, alguma pornografia e várias idas à geladeira, apenas por tédio.


E em meio a isso sempre invento uma obsessão de última hora, um vício da última semana. Atualmente encontro-me fudidamente decidido a finalizar o Super Mario World. Um jeito mais fácil de me fazer herói. Quando eu era criança, acreditava nos heróis de vídeo-game ou nas aventuras da sessão da tarde. Esse ressentimento que tenho da vida por ela nunca ter me dado uma aventura de sessão da tarde é o mesmo que minha mãe tem por eu não ter sido um doutor. Finge-se que não existe, mas está guardado lá no fundo.


É falta de ambição estar escrevendo em um blog ao invés de ser um médico ou um advogado? Não, falta de ambição é nessa altura do campeonato eu estar apenas tentando finalizar o Super Mario.




2 comentários:

Filipe Teixeira disse...

E o que se dirá da poesia? Sempre que me vem à mente um verso ele não vai para uma estrofe, ele vai para o Facebook. É com se eu fosse um Caio Fernando Abreu voluntário. Não espero que as pessoas me leiam e aí sim me tuítem ou me facebookeiem, eu mesmo realizo essa tarefa. Em certa medida, somos ambos cúmplices dessa mediocridade. Viva a insônia e o que ela proporciona, mesmo que seja essa lamentação sem finalidade.

Anônimo disse...

Só digo uma coisa: não perca o Yoshi de vista.